LA BÍBLIA Edição Revista e Atualizada João Ferreira

Eclesiastes (Author Salomão)

Capítulo 1

1Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém.2Vaidade de vaidades, diz o pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade.3Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?4Uma geração vai-se, e outra geração vem, mas a terra permanece para sempre.5O sol nasce, e o sol se põe, e corre de volta ao seu lugar donde nasce.6O vento vai para o sul, e faz o seu giro vai para o norte; volve-se e revolve-se na sua carreira, e retoma os seus circuitos.7Todos os ribeiros vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios correm, para ali continuam a correr.8Todas as coisas estão cheias de cansaço; ninguém o pode exprimir: os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.9O que tem sido, isso é o que há de ser; e o que se tem feito, isso se tornará a fazer; nada há que seja novo debaixo do sol.10Há alguma coisa de que se possa dizer: Voê, isto é novo? ela já existiu nos séculos que foram antes de nós.11Já não há lembrança das gerações passadas; nem das gerações futuras haverá lembrança entre os que virão depois delas.12Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém.13E apliquei o meu coração a inquirir e a investigar com sabedoria a respeito de tudo quanto se faz debaixo do céu; essa enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens para nela se exercitarem.14Atentei para todas as obras que se e fazem debaixo do sol; e eis que tudo era vaidade e desejo vão.15O que é torto não se pode endireitar; o que falta não se pode enumerar.16Falei comigo mesmo, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; na verdade, tenho tido larga experiência da sabedoria e do conhecimento.17E apliquei o coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras; e vim a saber que também isso era desejo vao.18Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta o conhecimento aumenta a tristeza.

Capítulo 2

1Disse eu a mim mesmo: Ora vem, eu te provarei com a alegria; portanto goza o prazer; mas eis que também isso era vaidade.2Do riso disse: Está doido; e da alegria: De que serve estar.3Busquei no meu coração como estimular com vinho a minha carne, sem deixar de me guiar pela sabedoria, e como me apoderar da estultícia, até ver o que era bom que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu, durante o número dos dias de sua vida.4Fiz para mim obras magníficas: edifiquei casas, plantei vinhas;5fiz hortas e jardins, e plantei neles árvores frutíferas de todas as espécies.6Fiz tanques de águas, para deles regar o bosque em que reverdeciam as árvores.7Comprei servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e de rebanhos, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém.8Ajuntei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens, concubinas em grande número.9Assim me engrandeci, e me tornei mais rico do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.10E tudo quanto desejaram os meus olhos não lho neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; pois o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e isso foi o meu proveito de todo o meu trabalho.11Então olhei eu para todas as obras que as minhas mãos haviam feito, como também para o trabalho que eu aplicara em fazê-las; e eis que tudo era vaidade e desejo vão, e proveito nenhum havia debaixo do sol.12Virei-me para contemplar a sabedoria, e a loucura, e a estultícia; pois que fará o homem que seguir ao rei? O mesmo que já se fez!13Então vi eu que a sabedoria é mais excelente do que a estultícia, quanto a luz é mais excelente do que as trevas.14Os olhos do sábio estão na sua cabeça, mas o louco anda em trevas; contudo percebi que a mesma coisa lhes sucede a ambos.15Pelo que eu disse no meu coração: Como acontece ao estulto, assim me sucederá a mim; por que então busquei eu mais a sabedoria; Então respondi a mim mesmo que também isso era vaidade.16Pois do sábio, bem como do estulto, a memória não durará para sempre; porquanto de tudo, nos dias futuros, total esquecimento haverá. E como morre o sábio, assim morre o estulto!17Pelo que aborreci a vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me era penosa; sim, tudo é vaidade e desejo vão.18Também eu aborreci todo o meu trabalho em que me afadigara debaixo do sol, visto que tenho de deixá-lo ao homem que virá depois de mim.19E quem sabe se será sábio ou estulto? Contudo, ele se assenhoreará de todo o meu trabalho em que me afadiguei, e em que me houve sabiamente debaixo do sol; também isso é vaidade.20Pelo que eu me volvi e entreguei o meu coração ao desespero no tocante a todo o trabalho em que me afadigara debaixo do sol.21Porque há homem cujo trabalho é feito com sabedoria, e ciência, e destreza; contudo, deixará o fruto do seu labor para ser porção de quem não trabalhou nele; também isso é vaidade e um grande mal.22Pois, que alcança o homem com todo o seu trabalho e com a fadiga em que ele anda trabalhando debaixo do sol?23Porque todos os seus dias são dores, e o seu trabalho é vexação; nem de noite o seu coração descansa. Também isso é vaidade.24Não há nada melhor para o homem do que comer e beber, e fazer que a sua alma goze do bem do seu trabalho. Vi que também isso vem da mão de Deus.25Pois quem pode comer, ou quem pode gozar. melhor do que eu?26Porque ao homem que lhe agrada, Deus dá sabedoria, e conhecimento, e alegria; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte e amontoe, a fim de dá-lo àquele que agrada a Deus: Também isso é vaidade e desejo vão.

Capítulo 3

1Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu.2Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;3tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar;4tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;5tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar;6tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora;7tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar;8tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.9Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha?10Tenho visto o trabalho penoso que Deus deu aos filhos dos homens para nele se exercitarem.11Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs na mente do homem a idéia da eternidade, se bem que este não possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até o fim.12Sei que não há coisa melhor para eles do que se regozijarem e fazerem o bem enquanto viverem;13e também que todo homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho é dom de Deus.14Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe pode acrescentar, e nada se lhe pode tirar; e isso Deus faz para que os homens temam diante dele:15O que é, já existiu; e o que há de ser, também já existiu; e Deus procura de novo o que ja se passou.16Vi ainda debaixo do sol que no lugar da retidão estava a impiedade; e que no lugar da justiça estava a impiedade ainda.17Eu disse no meu coração: Deus julgará o justo e o ímpio; porque há um tempo para todo propósito e para toda obra.18Disse eu no meu coração: Isso é por causa dos filhos dos homens, para que Deus possa prová-los, e eles possam ver que são em si mesmos como os brutos.19Pois o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos brutos; uma e a mesma coisa lhes sucede; como morre um, assim morre o outro; todos têm o mesmo fôlego; e o homem não tem vantagem sobre os brutos; porque tudo é vaidade.20Todos vão para um lugar; todos são pó, e todos ao pó tornarão.21Quem sabe se o espírito dos filhos dos homens vai para cima, e se o espírito dos brutos desce para a terra?22Pelo que tenho visto que não há coisa melhor do que alegrar-se o homem nas suas obras; porque esse é o seu quinhão; pois quem o fará voltar para ver o que será depois dele?



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