LA BÍBLIA Edição Revista e Atualizada João Ferreira

Mateus (Author Mateus)

Capítulo 20

1Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, proprietário, que saiu de madrugada a contratar trabalhadores para a sua vinha.2Ajustou com os trabalhadores o salário de um denário por dia, e mandou-os para a sua vinha.3Cerca da hora terceira saiu, e viu que estavam outros, ociosos, na praça,4e disse-lhes: Ide também vós para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.5Outra vez saiu, cerca da hora sexta e da nona, e fez o mesmo.6Igualmente, cerca da hora undécima, saiu e achou outros que lá estavam, e perguntou-lhes: Por que estais aqui ociosos o dia todo?7Responderam-lhe eles: Porque ninguém nos contratou. Disse- lhes ele: Ide também vós para a vinha.8Ao anoitecer, disse o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até os primeiros.9Chegando, pois, os que tinham ido cerca da hora undécima, receberam um denário cada um.10Vindo, então, os primeiros, pensaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um denário cada um.11E ao recebê-lo, murmuravam contra o proprietário, dizendo:12Estes últimos trabalharam somente uma hora, e os igualastes a nós, que suportamos a fadiga do dia inteiro e o forte calor.13Mas ele, respondendo, disse a um deles: Amigo, não te faço injustiça; não ajustaste comigo um denário?14Toma o que é teu, e vai-te; eu quero dar a este último tanto como a ti.15Não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?16Assim os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos.17Estando Jesus para subir a Jerusalém, chamou à parte os doze e no caminho lhes disse:18Eis que subimos a Jerusalém, e o Filho do homem será entregue aos principais sacerdotes e aos escribas, e eles o condenarão à morte,19e o entregarão aos gentios para que dele escarneçam, e o açoitem e crucifiquem; e ao terceiro dia ressuscitará.20Aproximou-se dele, então, a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, ajoelhando-se e fazendo-lhe um pedido.21Perguntou-lhe Jesus: Que queres? Ela lhe respondeu: Concede que estes meus dois filhos se sentem, um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu reino.22Jesus, porém, replicou: Não sabeis o que pedis; podeis beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos.23Então lhes disse: O meu cálice certamente haveis de beber; mas o sentar-se à minha direita e à minha esquerda, não me pertence concedê-lo; mas isso é para aqueles para quem está preparado por meu Pai.24E ouvindo isso os dez, indignaram-se contra os dois irmãos.25Jesus, pois, chamou-os para junto de si e lhes disse: Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles.26Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva;27e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo;28assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.29Saindo eles de Jericó, seguiu-o uma grande multidão;30e eis que dois cegos, sentados junto do caminho, ouvindo que Jesus passava, clamaram, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de nós.31E a multidão os repreendeu, para que se calassem; eles, porém, clamaram ainda mais alto, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de nós.32E Jesus, parando, chamou-os e perguntou: Que quereis que vos faça?33Disseram-lhe eles: Senhor, que se nos abram os olhos.34E Jesus, movido de compaixão, tocou-lhes os olhos, e imediatamente recuperaram a vista, e o seguiram.

Capítulo 21

1Quando se aproximaram de Jerusalém, e chegaram a Betfagé, ao Monte das Oliveiras, enviou Jesus dois discípulos,2dizendo-lhes: Ide à aldeia que está defronte de vós, e logo encontrareis uma jumenta presa, e um jumentinho com ela; desprendei-a, e trazei- mos.3E, se alguém vos disser alguma coisa, respondei: O Senhor precisa deles; e logo os enviará.4Ora, isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta:5Dizei à filha de Sião: Eis que aí te vem o teu Rei, manso e montado em um jumento, em um jumentinho, cria de animal de carga.6Indo, pois, os discípulos e fazendo como Jesus lhes ordenara,7trouxeram a jumenta e o jumentinho, e sobre eles puseram os seus mantos, e Jesus montou.8E a maior parte da multidão estendeu os seus mantos pelo caminho; e outros cortavam ramos de árvores, e os espalhavam pelo caminho.9E as multidões, tanto as que o precediam como as que o seguiam, clamavam, dizendo: Hosana ao Filho de Davi! bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!10Ao entrar ele em Jerusalém, agitou-se a cidade toda e perguntava: Quem é este?11E as multidões respondiam: Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galiléia.12Então Jesus entrou no templo, expulsou todos os que ali vendiam e compravam, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas;13e disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; vós, porém, a fazeis covil de salteadores.14E chegaram-se a ele no templo cegos e coxos, e ele os curou.15Vendo, porém, os principais sacerdotes e os escribas as maravilhas que ele fizera, e os meninos que clamavam no templo: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se,16e perguntaram-lhe: Ouves o que estes estão dizendo? Respondeu-lhes Jesus: Sim; nunca lestes: Da boca de pequeninos e de criancinhas de peito tiraste perfeito louvor?17E deixando-os, saiu da cidade para Betânia, e ali passou a noite.18Ora, de manhã, ao voltar à cidade, teve fome;19e, avistando uma figueira à beira do caminho, dela se aproximou, e não achou nela senão folhas somente; e disse-lhe: Nunca mais nasça fruto de ti. E a figueira secou imediatamente.20Quando os discípulos viram isso, perguntaram admirados: Como é que imediatamente secou a figueira?21Jesus, porém, respondeu-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas até, se a este monte disserdes: Ergue-te e lança-te no mar, isso será feito;22e tudo o que pedirdes na oração, crendo, recebereis.23Tendo Jesus entrado no templo, e estando a ensinar, aproximaram-se dele os principais sacerdotes e os anciãos do povo, e perguntaram: Com que autoridade fazes tu estas coisas? e quem te deu tal autoridade?24Respondeu-lhes Jesus: Eu também vos perguntarei uma coisa; se ma disserdes, eu de igual modo vos direi com que autoridade faço estas coisas.25 O batismo de João, donde era? do céu ou dos homens? Ao que eles arrazoavam entre si: Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que não o crestes?26Mas, se dissermos: Dos homens, tememos o povo; porque todos consideram João como profeta.27Responderam, pois, a Jesus: Não sabemos. Disse-lhe ele: Nem eu vos digo com que autoridade faço estas coisas.28Mas que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, chegando- se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na vinha.29Ele respondeu: Sim, senhor; mas não foi.30Chegando-se, então, ao segundo, falou-lhe de igual modo; respondeu-lhe este: Não quero; mas depois, arrependendo-se, foi.31Qual dos dois fez a vontade do pai? Disseram eles: O segundo. Disse-lhes Jesus: Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus.32Pois João veio a vós no caminho da justiça, e não lhe deste crédito, mas os publicanos e as meretrizes lho deram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para crerdes nele.33Ouvi ainda outra parábola: Havia um homem, proprietário, que plantou uma vinha, cercou-a com uma sebe, cavou nela um lagar, e edificou uma torre; depois arrendou-a a uns lavradores e ausentou-se do país.34E quando chegou o tempo dos frutos, enviou os seus servos aos lavradores, para receber os seus frutos.35E os lavradores, apoderando-se dos servos, espancaram um, mataram outro, e a outro apedrejaram.36Depois enviou ainda outros servos, em maior número do que os primeiros; e fizeram-lhes o mesmo.37Por último enviou-lhes seu filho, dizendo: A meu filho terão respeito.38Mas os lavradores, vendo o filho, disseram entre si: Este é o herdeiro; vinde, matemo-lo, e apoderemo-nos da sua herança.39E, agarrando-o, lançaram-no fora da vinha e o mataram.40Quando, pois, vier o senhor da vinha, que fará àqueles lavradores?41Responderam-lhe eles: Fará perecer miseravelmente a esses maus, e arrendará a vinha a outros lavradores, que a seu tempo lhe entreguem os frutos.42Disse-lhes Jesus: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os edificadores rejeitaram, essa foi posta como pedra angular; pelo Senhor foi feito isso, e é maravilhoso aos nossos olhos?43Portanto eu vos digo que vos será tirado o reino de Deus, e será dado a um povo que dê os seus frutos.44E quem cair sobre esta pedra será despedaçado; mas aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó.45Os principais sacerdotes e os fariseus, ouvindo essas parábolas, entenderam que era deles que Jesus falava.46E procuravam prendê-lo, mas temeram o povo, porquanto este o tinha por profeta.

Capítulo 22

1Então Jesus tornou a falar-lhes por parábolas, dizendo:2O reino dos céus é semelhante a um rei que celebrou as bodas de seu filho.3Enviou os seus servos a chamar os convidados para as bodas, e estes não quiseram vir.4Depois enviou outros servos, ordenando: Dizei aos convidados: Eis que tenho o meu jantar preparado; os meus bois e cevados já estão mortos, e tudo está pronto; vinde às bodas.5Eles, porém, não fazendo caso, foram, um para o seu campo, outro para o seu negócio;6e os outros, apoderando-se dos servos, os ultrajaram e mataram.7Mas o rei encolerizou-se; e enviando os seus exércitos, destruiu aqueles homicidas, e incendiou a sua cidade.8Então disse aos seus servos: As bodas, na verdade, estão preparadas, mas os convidados não eram dignos.9Ide, pois, pelas encruzilhadas dos caminhos, e a quantos encontrardes, convidai-os para as bodas.10E saíram aqueles servos pelos caminhos, e ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e encheu-se de convivas a sala nupcial.11Mas, quando o rei entrou para ver os convivas, viu ali um homem que não trajava veste nupcial;12e perguntou-lhe: Amigo, como entraste aqui, sem teres veste nupcial? Ele, porém, emudeceu.13Ordenou então o rei aos servos: Amarrai-o de pés e mãos, e lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.14Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.15Então os fariseus se retiraram e consultaram entre si como o apanhariam em alguma palavra;16e enviaram-lhe os seus discípulos, juntamente com os herodianos, a dizer; Mestre, sabemos que és verdadeiro, e que ensinas segundo a verdade o caminho de Deus, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens.17Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar tributo a César, ou não?18Jesus, porém, percebendo a sua malícia, respondeu: Por que me experimentais, hipócritas?19Mostrai-me a moeda do tributo. E eles lhe apresentaram um denário.20Perguntou-lhes ele: De quem é esta imagem e inscrição?21Responderam: De César. Então lhes disse: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.22Ao ouvirem isso, ficaram admirados; e, deixando-o, se retiraram.23No mesmo dia vieram alguns saduceus, que dizem não haver ressurreição, e o interrogaram, dizendo:24Mestre, Moisés disse: Se morrer alguém, não tendo filhos, seu irmão casará com a mulher dele, e suscitará descendência a seu irmão.25Ora, havia entre nós sete irmãos: o primeiro, tendo casado, morreu: e, não tendo descendência, deixou sua mulher a seu irmão;26da mesma sorte também o segundo, o terceiro, até o sétimo.27depois de todos, morreu também a mulher.28Portanto, na ressurreição, de qual dos sete será ela esposa, pois todos a tiveram?29Jesus, porém, lhes respondeu: Errais, não compreendendo as Escrituras nem o poder de Deus;30pois na ressurreição nem se casam nem se dão em casamento; mas serão como os anjos no céu.31E, quanto à ressurreição dos mortos, não lestes o que foi dito por Deus:32Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó? Ora, ele não é Deus de mortos, mas de vivos.33E as multidões, ouvindo isso, se maravilhavam da sua doutrina.34Os fariseus, quando souberam, que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se todos;35e um deles, doutor da lei, para o experimentar, interrogou- o, dizendo:36Mestre, qual é o grande mandamento na lei?37Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento.38Este é o grande e primeiro mandamento.39E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.40Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.41Ora, enquanto os fariseus estavam reunidos, interrogou-os Jesus,42dizendo: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe: De Davi.43Replicou-lhes ele: Como é então que Davi, no Espírito, lhe chama Senhor, dizendo:44Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos de baixo dos teus pés?45Se Davi, pois, lhe chama Senhor, como é ele seu filho?46E ninguém podia responder-lhe palavra; nem desde aquele dia jamais ousou alguém interrogá-lo.



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