LA BÍBLIA Edição Revista e Atualizada João Ferreira

Mateus (Author Mateus)

Capítulo 23

1Então falou Jesus às multidões e aos seus discípulos,2dizendo: Na cadeira de Moisés se assentam os escribas e fariseus.3Portanto, tudo o que vos disserem, isso fazei e observai; mas não façais conforme as suas obras; porque dizem e não praticam.4Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; mas eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.5Todas as suas obras eles fazem a fim de serem vistos pelos homens; pois alargam os seus filactérios, e aumentam as franjas dos seus mantos;6gostam do primeiro lugar nos banquetes, das primeiras cadeiras nas sinagogas,7das saudações nas praças, e de serem chamados pelos homens: Rabi.8Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi; porque um só é o vosso Mestre, e todos vós sois irmãos.9E a ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque um só é o vosso Pai, aquele que está nos céus.10Nem queirais ser chamados guias; porque um só é o vosso Guia, que é o Cristo.11Mas o maior dentre vós há de ser vosso servo.12Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si mesmo se humilhar, será exaltado.13Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque fechais aos homens o reino dos céus; pois nem vós entrais, nem aos que entrariam permitis entrar.14[Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque devorais as casas das viúvas e sob pretexto fazeis longas orações; por isso recebereis maior condenação.]15Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o tornais duas vezes mais filho do inferno do que vós.16Ai de vós, guias cegos! que dizeis: Quem jurar pelo ouro do santuário, esse fica obrigado ao que jurou.17Insensatos e cegos! Pois qual é o maior; o ouro, ou o santuário que santifica o ouro?18E: Quem jurar pelo altar, isso nada é; mas quem jurar pela oferta que está sobre o altar, esse fica obrigado ao que jurou.19Cegos! Pois qual é maior: a oferta, ou o altar que santifica a oferta?20Portanto, quem jurar pelo altar jura por ele e por tudo quanto sobre ele está;21e quem jurar pelo santuário jura por ele e por aquele que nele habita;22e quem jurar pelo céu jura pelo trono de Deus e por aquele que nele está assentado.23Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes omitido o que há de mais importante na lei, a saber, a justiça, a misericórdia e a fé; estas coisas, porém, devíeis fazer, sem omitir aquelas.24Guias cegos! que coais um mosquito, e engulis um camelo.25Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque limpais o exterior do copo e do prato, mas por dentro estão cheios de rapina e de intemperança.26Fariseu cego! limpa primeiro o interior do copo, para que também o exterior se torne limpo.27Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos e de toda imundícia.28Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e de iniquidade.29Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos,30e dizeis: Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido cúmplices no derramar o sangue dos profetas.31Assim, vós testemunhais contra vós mesmos que sois filhos daqueles que mataram os profetas.32Enchei vós, pois, a medida de vossos pais.33Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?34Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas: e a uns deles matareis e crucificareis; e a outros os perseguireis de cidade em cidade;35para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que mataste entre o santuário e o altar.36Em verdade vos digo que todas essas coisas hão de vir sobre esta geração.37Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, apedrejas os que a ti são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e não o quiseste!38Eis aí abandonada vos é a vossa casa.39Pois eu vos declaro que desde agora de modo nenhum me vereis, até que digais: Bendito aquele que vem em nome do Senhor.

Capítulo 24

1Ora, Jesus, tendo saído do templo, ia-se retirando, quando se aproximaram dele os seus discípulos, para lhe mostrarem os edifícios do templo.2Mas ele lhes disse: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não se deixará aqui pedra sobre pedra que não seja derribada.3E estando ele sentado no Monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos em particular, dizendo: Declara-nos quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo.4Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane.5Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão.6E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim.7Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares.8Mas todas essas coisas são o princípio das dores.9Então sereis entregues à tortura, e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome.10Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão.11Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos;12e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.13Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo.14E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.15Quando, pois, virdes estar no lugar santo a abominação de desolação, predita pelo profeta Daniel (quem lê, entenda),16então os que estiverem na Judéia fujam para os montes;17quem estiver no eirado não desça para tirar as coisas de sua casa,18e quem estiver no campo não volte atrás para apanhar a sua capa.19Mas ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias!20Orai para que a vossa fuga não suceda no inverno nem no sábado;21porque haverá então uma tribulação tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá.22E se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias.23Se, pois, alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! ou: Ei-lo aí! não acrediteis;24porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.25Eis que de antemão vo-lo tenho dito.26Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto; não saiais; ou: Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis.27Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente, assim será também a vinda do filho do homem.28Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres.29Logo depois da tribulação daqueles dias, escurecerá o sol, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu e os poderes dos céus serão abalados.30Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem, e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão vir o Filho do homem sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.31E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.32Aprendei, pois, da figueira a sua parábola: Quando já o seu ramo se torna tenro e brota folhas, sabeis que está próximo o verão.33Igualmente, quando virdes todas essas coisas, sabei que ele está próximo, mesmo às portas.34Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas essas coisas se cumpram.35Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão.36Daquele dia e hora, porém, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, senão só o Pai.37Pois como foi dito nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem.38Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca,39e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos; assim será também a vinda do Filho do homem.40Então, estando dois homens no campo, será levado um e deixado outro;41estando duas mulheres a trabalhar no moinho, será levada uma e deixada a outra.42Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia vem o vosso Senhor;43sabei, porém, isto: se o dono da casa soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa.44Por isso ficai também vós apercebidos; porque numa hora em que não penseis, virá o Filho do homem.45Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o senhor pôs sobre os seus serviçais, para a tempo dar-lhes o sustento?46Bem-aventurado aquele servo a quem o seu senhor, quando vier, achar assim fazendo.47Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens.48Mas se aquele outro, o mau servo, disser no seu coração: Meu senhor tarda em vir,49e começar a espancar os seus conservos, e a comer e beber com os ébrios,50virá o senhor daquele servo, num dia em que não o espera, e numa hora de que não sabe,51e cortá-lo-á pelo meio, e lhe dará a sua parte com os hipócritas; ali haverá choro e ranger de dentes.

Capítulo 25

1Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo.2Cinco delas eram insensatas, e cinco prudentes.3Ora, as insensatas, tomando as lâmpadas, não levaram azeite consigo.4As prudentes, porém, levaram azeite em suas vasilhas, juntamente com as lâmpadas.5E tardando o noivo, cochilaram todas, e dormiram.6Mas à meia-noite ouviu-se um grito: Eis o noivo! saí-lhe ao encontro!7Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas.8E as insensatas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas estão se apagando.9Mas as prudentes responderam: não; pois de certo não chegaria para nós e para vós; ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós.10E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o noivo; e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.11Depois vieram também as outras virgens, e disseram: Senhor, Senhor, abre-nos a porta.12Ele, porém, respondeu: Em verdade vos digo, não vos conheço.13Vigiai pois, porque não sabeis nem o dia nem a hora.14Porque é assim como um homem que, ausentando-se do país, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens:15a um deu cinco talentos, a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade; e seguiu viagem.16O que recebera cinco talentos foi imediatamente negociar com eles, e ganhou outros cinco;17da mesma sorte, o que recebera dois ganhou outros dois;18mas o que recebera um foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.19Ora, depois de muito tempo veio o senhor daqueles servos, e fez contas com eles.20Então chegando o que recebera cinco talentos, apresentou-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco que ganhei.21Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.22Chegando também o que recebera dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis aqui outros dois que ganhei.23Disse-lhe o seu senhor: Muito bem, servo bom e fiel; sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor.24Chegando por fim o que recebera um talento, disse: Senhor, eu te conhecia, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste, e recolhes onde não joeiraste;25e, atemorizado, fui esconder na terra o teu talento; eis aqui tens o que é teu.26Ao que lhe respondeu o seu senhor: Servo mau e preguiçoso, sabias que ceifo onde não semeei, e recolho onde não joeirei?27Devias então entregar o meu dinheiro aos banqueiros e, vindo eu, tê-lo-ia recebido com juros.28Tirai-lhe, pois, o talento e dai ao que tem os dez talentos.29Porque a todo o que tem, dar-se-lhe-á, e terá em abundância; mas ao que não tem, até aquilo que tem ser-lhe-á tirado.30E lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.31Quando, pois vier o Filho do homem na sua glória, e todos os anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória;32e diante dele serão reunidas todas as nações; e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos;33e porá as ovelhas à sua direita, mas os cabritos à esquerda.34Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;35porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes;36estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me.37Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?38Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? ou nu, e te vestimos?39Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te?40E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes.41Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai- vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos;42porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;43era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo, e na prisão, e não me visitastes.44Então também estes perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou forasteiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?45Ao que lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o fazer a mim.46E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna.



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