LA BÍBLIA Edição Revista e Atualizada João Ferreira

Eclesiastes (Author Salomão)

10:1As moscas mortas fazem com que o ungüento do perfumista emita mau cheiro; assim um pouco de estultícia pesa mais do que a sabedoria e a honra.

10:2O coração do sábio o inclina para a direita, mas o coração do tolo o inclina para a esquerda.

10:3E, até quando o tolo vai pelo caminho, falta-lhe o entendimento, e ele diz a todos que é tolo.

10:4Se se levantar contra ti o espírito do governador, não deixes o teu lugar; porque a deferência desfaz grandes ofensas.

10:5Há um mal que vi debaixo do sol, semelhante a um erro que procede do governador:

10:6a estultícia está posta em grande dignidade, e os ricos estão assentados em lugar humilde.

10:7Tenho visto servos montados a cavalo, e príncipes andando a pé como servos.

10:8Aquele que abrir uma cova, nela cairá; e quem romper um muro, uma cobra o morderá.

10:9Aquele que tira pedras é maltratado por elas, e o que racha lenha corre perigo nisso.

10:10Se estiver embotado o ferro, e não se afiar o corte, então se deve pôr mais força; mas a sabedoria é proveitosa para dar prosperidade.

10:11Se a cobra morder antes de estar encantada, não há vantagem no encantador.

10:12As palavras da boca do sábio são cheias de graça, mas os lábios do tolo o devoram.

10:13O princípio das palavras da sua boca é estultícia, e o fim do seu discurso é loucura perversa.

10:14O tolo multiplica as palavras, todavia nenhum homem sabe o que há de ser; e quem lhe poderá declarar o que será depois dele?

10:15O trabalho do tolo o fatiga, de sorte que não sabe ir à cidade.

10:16Ai de ti, ó terra, quando o teu rei é criança, e quando os teus príncipes banqueteiam de manhã!

10:17Bem-aventurada tu, ó terra, quando o teu rei é filho de nobres, e quando os teus príncipes comem a tempo, para refazerem as forças, e não para bebedice!

10:18Pela preguiça se enfraquece o teto, e pela frouxidão das mãos a casa tem goteiras.

10:19Para rir é que se dá banquete, e o vinho alegra a vida; e por tudo o dinheiro responde.

10:20Nem ainda no teu pensamento amaldições o rei; nem tampouco na tua recâmara amaldiçoes o rico; porque as aves dos céus levarão a voz, e uma criatura alada dará notícia da palavra.

11:1Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás.

11:2Reparte com sete, e ainda até com oito; porque não sabes que mal haverá sobre a terra.

11:3Estando as nuvens cheias de chuva, derramam-na sobre a terra. Caindo a árvore para o sul, ou para o norte, no lugar em que a árvore cair, ali ficará.

11:4Quem observa o vento, não semeará, e o que atenta para as nuvens não segará.

11:5Assim como tu não sabes qual o caminho do vento, nem como se formam os ossos no ventre da que está grávida, assim também não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas.

11:6Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retenhas a tua mão; pois tu não sabes qual das duas prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão, igualmente boas.

11:7Doce é a luz, e agradável é aos olhos ver o sol.

11:8Se, pois, o homem viver muitos anos, regozije-se em todos eles; contudo lembre-se dos dias das trevas, porque hão de ser muitos. Tudo quanto sucede é vaidade.

11:9Alegra-te, mancebo, na tua mocidade, e anime-te o teu coração nos dias da tua mocidade, e anda pelos caminhos do teu coração, e pela vista dos teus olhos; sabe, porém, que por todas estas coisas Deus te trará a juízo.

11:10Afasta, pois, do teu coração o desgosto, remove da tua carne o mal; porque a mocidade e a aurora da vida são vaidade.

12:1Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos em que dirás: Não tenho prazer neles;

12:2antes que se escureçam o sol e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva;

12:3no dia em que tremerem os guardas da casa, e se curvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas,

12:4e as portas da rua se fecharem; quando for baixo o ruído da moedura, e nos levantarmos à voz das aves, e todas as filhas da música ficarem abatidas;

12:5como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho; e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e falhar o desejo; porque o homem se vai à sua casa eterna, e os pranteadores andarão rodeando pela praça;

12:6antes que se rompa a cadeia de prata, ou se quebre o copo de ouro, ou se despedace o cântaro junto à fonte, ou se desfaça a roda junto à cisterna,

12:7e o pó volte para a terra como o era, e o espírito volte a Deus que o deu.

12:8Vaidade de vaidades, diz o pregador, tudo é vaidade.

12:9Além de ser sábio, o pregador também ensinou ao povo o conhecimento, meditando, e estudando, e pondo em ordem muitos provérbios.

12:10Procurou o pregador achar palavras agradáveis, e escreveu com acerto discursos plenos de verdade.

12:11As palavras dos sábios são como aguilhões; e como pregos bem fixados são as palavras coligidas dos mestres, as quais foram dadas pelo único pastor.

12:12Além disso, filho meu, sê avisado. De fazer muitos livros não há fim; e o muito estudar é enfado da carne.

12:13Este é o fim do discurso; tudo já foi ouvido: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é todo o dever do homem.

12:14Porque Deus há de trazer a juízo toda obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau.



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