LA BÍBLIA Edição Revista e Atualizada João Ferreira

Eclesiastes (Author Salomão)

7:1Melhor é o bom nome do que o melhor ungüento, e o dia da morte do que o dia do nascimento.

7:2Melhor é ir à casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete; porque naquela se vê o fim de todos os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração.

7:3Melhor é a mágoa do que o riso, porque a tristeza do rosto torna melhor o coração.

7:4O coração dos sábios está na casa do luto, mas o coração dos tolos na casa da alegria.

7:5Melhor é ouvir a repreensão do sábio do que ouvir alguém a canção dos tolos.

7:6Pois qual o crepitar dos espinhos debaixo da panela, tal é o riso do tolo; também isso é vaidade.

7:7Verdadeiramente a opressão faz endoidecer até o sábio, e a peita corrompe o coração.

7:8Melhor é o fim duma coisa do que o princípio; melhor é o paciente do que o arrogante.

7:9Não te apresses no teu espírito a irar-te, porque a ira abriga-se no seio dos tolos.

7:10Não digas: Por que razão foram os dias passados melhores do que estes; porque não provém da sabedoria esta pergunta.

7:11Tão boa é a sabedoria como a herança, e mesmo de mais proveito para os que vêem o sol.

7:12Porque a sabedoria serve de defesa, como de defesa serve o dinheiro; mas a excelência da sabedoria é que ela preserva a vida de quem a possui.

7:13Considera as obras de Deus; porque quem poderá endireitar o que ele fez torto?

7:14No dia da prosperidade regozija-te, mas no dia da adversidade considera; porque Deus fez tanto este como aquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.

7:15Tudo isto vi nos dias da minha vaidade: há justo que perece na sua justiça, e há ímpio que prolonga os seus dias na sua maldade.

7:16Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo?

7:17Não sejas demasiadamente ímpio, nem sejas tolo; por que morrerias antes do teu tempo?

7:18Bom é que retenhas isso, e que também daquilo não retires a tua mão; porque quem teme a Deus escapa de tudo isso.

7:19A sabedoria fortalece ao sábio mais do que dez governadores que haja na cidade.

7:20Pois não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque.

7:21Não escutes a todas as palavras que se disserem, para que não venhas a ouvir o teu servo amaldiçoar-te;

7:22pois tu sabes também que muitas vezes tu amaldiçoaste a outros.

7:23Tudo isto provei-o pela sabedoria; e disse: Far-me-ei sábio; porém a sabedoria ainda ficou longe de mim.

7:24Longe está o que já se foi, e profundíssimo; quem o poderá achar?

7:25Eu me volvi, e apliquei o meu coração para saber, e inquirir, e buscar a sabedoria e a razão de tudo, e para conhecer que a impiedade é insensatez e que a estultícia é loucura.

7:26E eu achei uma coisa mais amarga do que a morte, a mulher cujo coração são laços e redes, e cujas mãos são grilhões; quem agradar a Deus escapará dela; mas o pecador virá a ser preso por ela.

7:27Vedes aqui, isto achei, diz o pregador, conferindo uma coisa com a outra para achar a causa;

7:28causa que ainda busco, mas não a achei; um homem entre mil achei eu, mas uma mulher entre todas, essa não achei.

7:29Eis que isto tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas os homens buscaram muitos artifícios.

8:1Quem é como o sábio? e quem sabe a interpretação das coisas? A sabedoria do homem faz brilhar o seu rosto, e com ela a dureza do seu rosto se transforma.

8:2Eu digo: Observa o mandamento do rei, e isso por causa do juramento a Deus.

8:3Não te apresses a sair da presença dele; nem persistas em alguma coisa má; porque ele faz tudo o que lhe agrada.

8:4Porque a palavra do rei é suprema; e quem lhe dirá: que fazes?

8:5Quem guardar o mandamento não experimentará nenhum mal; e o coração do sábio discernirá o tempo e o juízo.

8:6Porque para todo propósito há tempo e juízo; porquanto a miséria do homem pesa sobre ele.

8:7Porque não sabe o que há de suceder; pois quem lho dará a entender como há de ser?

8:8Nenhum homem há que tenha domínio sobre o espírito, para o reter; nem que tenha poder sobre o dia da morte; nem há licença em tempo de guerra; nem tampouco a impiedade livrará aquele que a ela está entregue.

8:9Tudo isto tenho observado enquanto aplicava o meu coração a toda obra que se faz debaixo do sol; tempo há em que um homem tem domínio sobre outro homem para o seu próprio dano.

8:10Vi também os ímpios sepultados, os que antes entravam e saíam do lugar santo; e foram esquecidos na cidade onde haviam assim procedido; também isso é vaidade.

8:11Porquanto não se executa logo o juízo sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal.

8:12Ainda que o pecador faça o mal cem vezes, e os dias se lhe prolonguem, contudo eu sei com certeza que bem sucede aos que temem a Deus, porque temem diante dele;

8:13ao ímpio, porém, não irá bem, e ele não prolongará os seus dias, que são como a sombra; porque ele não teme diante de Deus.

8:14Ainda há outra vaidade que se faz sobre a terra: há justos a quem sucede segundo as obras dos ímpios, e há ímpios a quem sucede segundo as obras dos justos. Eu disse que também isso é vaidade.

8:15Exalto, pois, a alegria, porquanto o homem nenhuma coisa melhor tem debaixo do sol do que comer, beber e alegrar-se; porque isso o acompanhará no seu trabalho nos dias da sua vida que Deus lhe dá debaixo do sol.

8:16Quando apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria, e a ver o trabalho que se faz sobre a terra (pois homens há que nem de dia nem de noite conseguem dar sono aos seus olhos),

8:17então contemplei toda obra de Deus, e vi que o homem não pode compreender a obra que se faz debaixo do sol; pois por mais que o homem trabalhe para a descobrir, não a achará; embora o sábio queira conhecê-la, nem por isso a poderá compreender.

9:1Deveras a tudo isto apliquei o meu coração, para claramente entender tudo isto: que os justos, e os sábios, e as suas obras, estão nas mãos de Deus; se é amor ou se é ódio, não o sabe o homem; tudo passa perante a sua face.

9:2Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao mau, ao puro e ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento.

9:3Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol: que a todos sucede o mesmo. Também o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade; há desvarios no seu coração durante a sua vida, e depois se vão aos mortos.

9:4Ora, para aquele que está na companhia dos vivos há esperança; porque melhor é o cão vivo do que o leão morto.

9:5Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco têm eles daí em diante recompensa; porque a sua memória ficou entregue ao esquecimento.

9:6Tanto o seu amor como o seu ódio e a sua inveja já pereceram; nem têm eles daí em diante parte para sempre em coisa alguma do que se faz debaixo do sol.

9:7Vai, pois, come com alegria o teu pão .e bebe o teu vinho com coração contente; pois há muito que Deus se agrada das tuas obras.

9:8Sejam sempre alvas as tuas vestes, e nunca falte o óleo sobre a tua cabeça.

9:9Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias da tua vida vã, os quais Deus te deu debaixo do sol, todos os dias da tua vida vã; porque este é o teu quinhão nesta vida, e do teu trabalho, que tu fazes debaixo do sol.

9:10Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças; porque no Seol, para onde tu vais, não há obra, nem projeto, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.

9:11Observei ainda e vi que debaixo do sol não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a peleja, nem tampouco dos sábios o pão, nem ainda dos prudentes a riqueza, nem dos entendidos o favor; mas que a ocasião e a sorte ocorrem a todos.

9:12Pois o homem não conhece a sua hora. Como os peixes que se apanham com a rede maligna, e como os passarinhos que se prendem com o laço, assim se enlaçam também os filhos dos homens no mau tempo, quando este lhes sobrevém de repente.

9:13Também vi este exemplo de sabedoria debaixo do sol, que me pareceu grande:

9:14Houve uma pequena cidade em que havia poucos homens; e veio contra ela um grande rei, e a cercou e levantou contra ela grandes tranqueiras.

9:15Ora, achou-se nela um sábio pobre, que livrou a cidade pela sua sabedoria; contudo ninguém se lembrou mais daquele homem pobre.

9:16Então disse eu: Melhor é a sabedoria do que a força; todavia a sabedoria do pobre é desprezada, e as suas palavras não são ouvidas.

9:17As palavras dos sábios ouvidas em silêncio valem mais do que o clamor de quem governa entre os tolos.

9:18Melhor é a sabedoria do que as armas de guerra; mas um só pecador faz grande dano ao bem.



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