LA BÍBLIA Edição Revista e Atualizada João Ferreira

Lucas (Author Lucas)

14:1Tendo Jesus entrado, num sábado, em casa de um dos chefes dos fariseus para comer pão, eles o estavam observando.

14:2Achava-se ali diante dele certo homem hidrópico.

14:3E Jesus, tomando a palavra, falou aos doutores da lei e aos fariseus, e perguntou: É lícito curar no sábado, ou não?

14:4Eles, porém, ficaram calados. E Jesus, pegando no homem, o curou, e o despediu.

14:5Então lhes perguntou: Qual de vós, se lhe cair num poço um filho, ou um boi, não o tirará logo, mesmo em dia de sábado?

14:6A isto nada puderam responder.

14:7Ao notar como os convidados escolhiam os primeiros lugares, propôs-lhes esta parábola:

14:8Quando por alguém fores convidado às bodas, não te reclines no primeiro lugar; não aconteça que esteja convidado outro mais digno do que tu;

14:9e vindo o que te convidou a ti e a ele, te diga: Dá o lugar a este; e então, com vergonha, tenhas de tomar o último lugar.

14:10Mas, quando fores convidado, vai e reclina-te no último lugar, para que, quando vier o que te convidou, te diga: Amigo, sobe mais para cima. Então terás honra diante de todos os que estiverem contigo à mesa.

14:11Porque todo o que a si mesmo se exaltar será humilhado, e aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado.

14:12Disse também ao que o havia convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem os vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso retribuído.

14:13Mas quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os mancos e os cegos;

14:14e serás bem-aventurado; porque eles não têm com que te retribuir; pois retribuído te será na ressurreição dos justos.

14:15Ao ouvir isso um dos que estavam com ele à mesa, disse-lhe: Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus.

14:16Jesus, porém, lhe disse: Certo homem dava uma grande ceia, e convidou a muitos.

14:17E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados: vinde, porque tudo já está preparado.

14:18Mas todos à uma começaram a escusar-se. Disse-lhe o primeiro: Comprei um campo, e preciso ir vê-lo; rogo-te que me dês por escusado.

14:19Outro disse: Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; rogo-te que me dês por escusado.

14:20Ainda outro disse: Casei-me e portanto não posso ir.

14:21Voltou o servo e contou tudo isto a seu senhor: Então o dono da casa, indignado, disse a seu servo: Sai depressa para as ruas e becos da cidade e traze aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos.

14:22Depois disse o servo: Senhor, feito está como o ordenaste, e ainda há lugar.

14:23Respondeu o senhor ao servo: Sai pelos caminhos e valados, e obriga-os a entrar, para que a minha casa se encha.

14:24Pois eu vos digo que nenhum daqueles homens que foram convidados provará a minha ceia.

14:25Ora, iam com ele grandes multidões; e, voltando-se, disse-lhes:

14:26Se alguém vier a mim, e não aborrecer a pai e mãe, a mulher e filhos, a irmãos e irmãs, e ainda também à própria vida, não pode ser meu discípulo.

14:27Quem não leva a sua cruz e não me segue, não pode ser meu discípulo.

14:28Pois qual de vós, querendo edificar uma torre, não se senta primeiro a calcular as despesas, para ver se tem com que a acabar?

14:29Para não acontecer que, depois de haver posto os alicerces, e não a podendo acabar, todos os que a virem comecem a zombar dele,

14:30dizendo: Este homem começou a edificar e não pode acabar.

14:31Ou qual é o rei que, indo entrar em guerra contra outro rei, não se senta primeiro a consultar se com dez mil pode sair ao encontro do que vem contra ele com vinte mil?

14:32No caso contrário, enquanto o outro ainda está longe, manda embaixadores, e pede condições de paz.

14:33Assim, pois, todo aquele dentre vós que não renuncia a tudo quanto possui, não pode ser meu discípulo.

14:34Bom é o sal; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor?

14:35Não presta nem para terra, nem para adubo; lançam-no fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

15:1Ora, chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvir.

15:2E os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo: Este recebe pecadores, e come com eles.

15:3Então ele lhes propôs esta parábola:

15:4Qual de vós é o homem que, possuindo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto, e não vai após a perdida até que a encontre?

15:5E achando-a, põe-na sobre os ombros, cheio de júbilo;

15:6e chegando a casa, reúne os amigos e vizinhos e lhes diz: Alegrai-vos comigo, porque achei a minha ovelha que se havia perdido.

15:7Digo-vos que assim haverá maior alegria no céu por um pecador que se arrepende, do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento.

15:8Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas e perdendo uma dracma, não acende a candeia, e não varre a casa, buscando com diligência até encontrá-la?

15:9E achando-a, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu havia perdido.

15:10Assim, digo-vos, há alegria na presença dos anjos de Deus por um só pecador que se arrepende.

15:11Disse-lhe mais: Certo homem tinha dois filhos.

15:12O mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me toca. Repartiu-lhes, pois, os seus haveres.

15:13Poucos dias depois, o filho mais moço ajuntando tudo, partiu para um país distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.

15:14E, havendo ele dissipado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e começou a passar necessidades.

15:15Então foi encontrar-se a um dos cidadãos daquele país, o qual o mandou para os seus campos a apascentar porcos.

15:16E desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada.

15:17Caindo, porém, em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm abundância de pão, e eu aqui pereço de fome!

15:18Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e diante de ti;

15:19já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados.

15:20Levantou-se, pois, e foi para seu pai. Estando ele ainda longe, seu pai o viu, encheu-se de compaixão e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

15:21Disse-lhe o filho: Pai, pequei conta o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho.

15:22Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e alparcas nos pés;

15:23trazei também o bezerro, cevado e matai-o; comamos, e regozijemo-nos,

15:24porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado. E começaram a regozijar-se.

15:25Ora, o seu filho mais velho estava no campo; e quando voltava, ao aproximar-se de casa, ouviu a música e as danças;

15:26e chegando um dos servos, perguntou-lhe que era aquilo.

15:27Respondeu-lhe este: Chegou teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.

15:28Mas ele se indignou e não queria entrar. Saiu então o pai e instava com ele.

15:29Ele, porém, respondeu ao pai: Eis que há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; contudo nunca me deste um cabrito para eu me regozijar com os meus amigos;

15:30vindo, porém, este teu filho, que desperdiçou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.

15:31Replicou-lhe o pai: Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu;

15:32era justo, porém, regozijarmo-nos e alegramo-nos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado.

16:1Dizia Jesus também aos seus discípulos: Havia certo homem rico, que tinha um mordomo; e este foi acusado perante ele de estar dissipando os seus bens.

16:2Chamou-o, então, e lhe disse: Que é isso que ouço dizer de ti? Presta contas da tua mordomia; porque já não podes mais ser meu mordomo.

16:3Disse, pois, o mordomo consigo: Que hei de fazer, já que o meu senhor me tira a mordomia? Para cavar, não tenho forças; de mendigar, tenho vergonha.

16:4Agora sei o que vou fazer, para que, quando for desapossado da mordomia, me recebam em suas casas.

16:5E chamando a si cada um dos devedores do seu senhor, perguntou ao primeiro: Quanto deves ao meu senhor?

16:6Respondeu ele: Cem cados de azeite. Disse-lhe então: Toma a tua conta, senta-te depressa e escreve cinquenta.

16:7Perguntou depois a outro: E tu, quanto deves? Respondeu ele: Cem coros de trigo. E disse-lhe: Toma a tua conta e escreve oitenta.

16:8E louvou aquele senhor ao injusto mordomo por haver procedido com sagacidade; porque os filhos deste mundo são mais sagazes para com a sua geração do que os filhos da luz.

16:9Eu vos digo ainda: Granjeai amigos por meio das riquezas da injustiça; para que, quando estas vos faltarem, vos recebam eles nos tabernáculos eternos.

16:10Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito; quem é injusto no pouco, também é injusto no muito.

16:11Se, pois, nas riquezas injustas não fostes fiéis, quem vos confiará as verdadeiras?

16:12E se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso?

16:13Nenhum servo pode servir dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar ao outro, o há de odiar a um e amar ao outro, o há de dedicar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas.

16:14Os fariseus, que eram gananciosos, ouviam todas essas coisas e zombavam dele.

16:15E ele lhes disse: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece os vossos corações; porque o que entre os homens é elevado, perante Deus é abominação.

16:16A lei e os profetas vigoraram até João; desde então é anunciado o evangelho do reino de Deus, e todo homem forceja por entrar nele.

16:17É, porém, mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til da lei.

16:18Todo aquele que repudia sua mulher e casa com outra, comete adultério; e quem casa com a que foi repudiada pelo marido, também comete adultério.

16:19Ora, havia um homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo, e todos os dias se regalava esplendidamente.

16:20Ao seu portão fora deitado um mendigo, chamado Lázaro, todo coberto de úlceras;

16:21o qual desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico; e os próprios cães vinham lamber-lhe as úlceras.

16:22Veio a morrer o mendigo, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico, e foi sepultado.

16:23No hades, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe a Abraão, e a Lázaro no seu seio.

16:24E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e envia-me Lázaro, para que molhe na água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.

16:25Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que em tua vida recebeste os teus bens, e Lázaro de igual modo os males; agora, porém, ele aqui é consolado, e tu atormentado.

16:26E além disso, entre nós e vós está posto um grande abismo, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem os de lá passar para nós.

16:27Disse ele então: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai,

16:28porque tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham eles também para este lugar de tormento.

16:29Disse-lhe Abraão: Têm Moisés e os profetas; ouçam-nos.

16:30Respondeu ele: Não! pai Abraão; mas, se alguém dentre os mortos for ter com eles, hão de se arrepender.

16:31Abraão, porém, lhe disse: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco acreditarão, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.

17:1Disse Jesus a seus discípulos: É impossível que não venham tropeços, mas ai daquele por quem vierem!

17:2Melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequeninos.

17:3Tende cuidado de vós mesmos; se teu irmão pecar, repreende-o; e se ele se arrepender, perdoa-lhe.

17:4Mesmo se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; tu lhe perdoarás.

17:5Disseram então os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé.

17:6Respondeu o Senhor: Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: Desarraiga-te, e planta-te no mar; e ela vos obedeceria.

17:7Qual de vós, tendo um servo a lavrar ou a apascentar gado, lhe dirá, ao voltar ele do campo: chega-te já, e reclina-te à mesa?

17:8Não lhe dirá antes: Prepara-me a ceia, e cinge-te, e serve-me, até que eu tenha comido e bebido, e depois comerás tu e beberás?

17:9Porventura agradecerá ao servo, porque este fez o que lhe foi mandado?

17:10Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis; fizemos somente o que devíamos fazer.

17:11E aconteceu que, indo ele a Jerusalém, passava pela divisa entre a Samária e a Galiléia.

17:12Ao entrar em certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez leprosos, os quais pararam de longe,

17:13e levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem compaixão de nós!

17:14Ele, logo que os viu, disse-lhes: Ide, e mostrai-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, enquanto iam, ficaram limpos.

17:15Um deles, vendo que fora curado, voltou glorificando a Deus em alta voz;

17:16e prostrou-se com o rosto em terra aos pés de Jesus, dando-lhe graças; e este era samaritano.

17:17Perguntou, pois, Jesus: Não foram limpos os dez? E os nove, onde estão?

17:18Não se achou quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?

17:19E disse-lhe: Levanta-te, e vai; a tua fé te salvou.

17:20Sendo Jesus interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, respondeu-lhes: O reino de Deus não vem com aparência exterior;

17:21nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Eí-lo ali! pois o reino de Deus está dentro de vós.

17:22Então disse aos discípulos: Dias virão em que desejareis ver um dos dias do Filho do homem, e não o vereis.

17:23Dir-vos-ão: Ei-lo ali! ou: Ei-lo aqui! não vades, nem os sigais;

17:24pois, assim como o relâmpago, fuzilando em uma extremidade do céu, ilumina até a outra extremidade, assim será também o Filho do homem no seu dia.

17:25Mas primeiro é necessário que ele padeça muitas coisas, e que seja rejeitado por esta geração.

17:26Como aconteceu nos dias de Noé, assim também será nos dias do Filho do homem.

17:27Comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, e veio o dilúvio e os destruiu a todos.

17:28Como também da mesma forma aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam;

17:29mas no dia em que Ló saiu de Sodoma choveu do céu fogo e enxofre, e os destruiu a todos;

17:30assim será no dia em que o Filho do homem se há de manifestar.

17:31Naquele dia, quem estiver no eirado, tendo os seus bens em casa, não desça para tirá-los; e, da mesma sorte, o que estiver no campo, não volte para trás.

17:32Lembrai-vos da mulher de Ló.

17:33Qualquer que procurar preservar a sua vida, perdê-la-á, e qualquer que a perder, conservá-la-á.

17:34Digo-vos: Naquela noite estarão dois numa cama; um será tomado, e o outro será deixado.

17:35Duas mulheres estarão juntas moendo; uma será tomada, e a outra será deixada.

17:36[Dois homens estarão no campo; um será tomado, e o outro será deixado.]

17:37Perguntaram-lhe: Onde, Senhor? E respondeu-lhes: Onde estiver o corpo, aí se ajuntarão também os abutres.



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