LA BÍBLIA Edição Revista e Atualizada João Ferreira

Provérbios (Author Salomão)

4:1Ouvi, filhos, a instrução do pai, e estai atentos para conhecerdes o entendimento.

4:2Pois eu vos dou boa doutrina; não abandoneis o meu ensino.

4:3Quando eu era filho aos pés de meu, pai, tenro e único em estima diante de minha mãe,

4:4ele me ensinava, e me dizia: Retenha o teu coração as minhas palavras; guarda os meus mandamentos, e vive.

4:5Adquire a sabedoria, adquire o entendimento; não te esqueças nem te desvies das palavras da minha boca.

4:6Não a abandones, e ela te guardará; ama-a, e ela te preservará.

4:7A sabedoria é a coisa principal; adquire, pois, a sabedoria; sim, com tudo o que possuis adquire o entendimento.

4:8Estima-a, e ela te exaltará; se a abraçares, ela te honrará.

4:9Ela dará à tua cabeça uma grinalda de graça; e uma coroa de glória te entregará.

4:10Ouve, filho meu, e aceita as minhas palavras, para que se multipliquem os anos da tua vida.

4:11Eu te ensinei o caminho da sabedoria; guiei-te pelas veredas da retidão.

4:12Quando andares, não se embaraçarão os teus passos; e se correres, não tropeçarás.

4:13Apega-te à instrução e não a largues; guarda-a, porque ela é a tua vida.

4:14Não entres na vereda dos ímpios, nem andes pelo caminho dos maus.

4:15Evita-o, não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo.

4:16Pois não dormem, se não fizerem o mal, e foge deles o sono se não fizerem tropeçar alguém.

4:17Porque comem o pão da impiedade, e bebem o vinho da violência.

4:18Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito.

4:19O caminho dos ímpios é como a escuridão: não sabem eles em que tropeçam.

4:20Filho meu, atenta para as minhas palavras; inclina o teu ouvido às minhas instroções.

4:21Não se apartem elas de diante dos teus olhos; guarda-as dentro do teu coração.

4:22Porque são vida para os que as encontram, e saúde para todo o seu corpo.

4:23Guarda com toda a diligência o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.

4:24Desvia de ti a malignidade da boca, e alonga de ti a perversidade dos lábios.

4:25Dirijam-se os teus olhos para a frente, e olhem as tuas pálpebras diretamente diante de ti.

4:26Pondera a vereda de teus pés, e serão seguros todos os teus caminhos.

4:27Não declines nem para a direita nem para a esquerda; retira o teu pé do mal.

5:1Filho meu, atende à minha sabedoria; inclinão teu ouvido à minha prudência;

5:2para que observes a discrição, e os teus lábios guardem o conhecimento.

5:3Porque os lábios da mulher licenciosa destilam mel, e a sua boca e mais macia do que o azeite;

5:4mas o seu fim é amargoso como o absinto, agudo como a espada de dois gumes.

5:5Os seus pés descem à morte; os seus passos seguem no caminho do Seol.

5:6Ela não pondera a vereda da vida; incertos são os seus caminhos, e ela o ignora.

5:7Agora, pois, filhos, dai-me ouvidos, e não vos desvieis das palavras da minha boca.

5:8Afasta para longe dela o teu caminho, e não te aproximes da porta da sua casa;

5:9para que não dês a outros a tua honra, nem os teus anos a cruéis;

5:10para que não se fartem os estranhos dos teus bens, e não entrem os teus trabalhos na casa do estrangeiro,

5:11e gemas no teu fim, quando se consumirem a tua carne e o teu corpo,

5:12e digas: Como detestei a disciplina! e desprezou o meu coração a repreensão!

5:13e não escutei a voz dos que me ensinavam, nem aos que me instruíam inclinei o meu ouvido!

5:14Quase cheguei à ruína completa, no meio da congregação e da assembléia.

5:15Bebe a água da tua própria cisterna, e das correntes do teu poço.

5:16Derramar-se-iam as tuas fontes para fora, e pelas ruas os ribeiros de águas?

5:17Sejam para ti só, e não para os estranhos juntamente contigo.

5:18Seja bendito o teu manancial; e regozija-te na mulher da tua mocidade.

5:19Como corça amorosa, e graciosa cabra montesa saciem-te os seus seios em todo o tempo; e pelo seu amor sê encantado perpetuamente.

5:20E por que, filho meu, andarias atraído pela mulher licenciosa, e abraÇarias o seio da adúltera?

5:21Porque os caminhos do homem estão diante dos olhos do Senhor, o qual observa todas as suas veredas.

5:22Quanto ao ímpio, as suas próprias iniqüidades o prenderão, e pelas cordas do seu pecado será detido.

5:23Ele morre pela falta de disciplina; e pelo excesso da sua loucura anda errado.

6:1Filho meu, se ficaste por fiador do teu próximo, se te empenhaste por um estranho,

6:2estás enredado pelos teus lábios; estás preso pelas palavras da tua boca.

6:3Faze pois isto agora, filho meu, e livra-te, pois já caíste nas mãos do teu próximo; vai, humilha-te, e importuna o teu próximo;

6:4não dês sono aos teus olhos, nem adormecimento às tuas pálpebras;

6:5livra-te como a gazela da mão do caçador, e como a ave da mão do passarinheiro.

6:6Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos, e sê sábio;

6:7a qual, não tendo chefe, nem superintendente, nem governador,

6:8no verão faz a provisão do seu mantimento, e ajunta o seu alimento no tempo da ceifa.

6:9o preguiçoso, até quando ficarás deitador? quando te levantarás do teu sono?

6:10um pouco para dormir, um pouco para toscanejar, um pouco para cruzar as mãos em repouso;

6:11assim te sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade como um homem armado.

6:12O homem vil, o homem iníquo, anda com a perversidade na boca,

6:13pisca os olhos, faz sinais com os pés, e acena com os dedos;

6:14perversidade há no seu coração; todo o tempo maquina o mal; anda semeando contendas.

6:15Pelo que a sua destruição virá repentinamente; subitamente será quebrantado, sem que haja cura.

6:16Há seis coisas que o Senhor detesta; sim, há sete que ele abomina:

6:17olhos altivos, língua mentirosa, e mãos que derramam sangue inocente;

6:18coração que maquina projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal;

6:19testemunha falsa que profere mentiras, e o que semeia contendas entre irmãos.

6:20Filho meu, guarda o mandamento de, teu pai, e não abandones a instrução de tua mãe;

6:21ata-os perpetuamente ao teu coração, e pendura-os ao teu pescoço.

6:22Quando caminhares, isso te guiará; quando te deitares, te guardará; quando acordares, falará contigo.

6:23Porque o mandamento é uma lâmpada, e a instrução uma luz; e as repreensões da disciplina são o caminho da vida,

6:24para te guardarem da mulher má, e das lisonjas da língua da adúltera.

6:25Não cobices no teu coração a sua formosura, nem te deixes prender pelos seus olhares.

6:26Porque o preço da prostituta é apenas um bocado de pão, mas a adúltera anda à caça da própria vida do homem.

6:27Pode alguém tomar fogo no seu seio, sem que os seus vestidos se queimem?

6:28Ou andará sobre as brasas sem que se queimem os seus pés?

6:29Assim será o que entrar à mulher do seu proximo; não ficará inocente quem a tocar.

6:30Não é desprezado o ladrão, mesmo quando furta para saciar a fome?

6:31E, se for apanhado, pagará sete vezes tanto, dando até todos os bens de sua casa.

6:32O que adultera com uma mulher é falto de entendimento; destrói-se a si mesmo, quem assim procede.

6:33Receberá feridas e ignomínia, e o seu opróbrio nunca se apagará;

6:34porque o ciúme enfurece ao marido, que de maneira nenhuma poupará no dia da vingança.

6:35Não aceitará resgate algum, nem se aplacará, ainda que multipliques os presentes.

7:1Filho meu, guarda as minhas palavras, e entesoura contigo os meus mandamentos.

7:2Observa os meus mandamentos e vive; guarda a minha lei, como a menina dos teus olhos.

7:3Ata-os aos teus dedos, escreve-os na tábua do teu coração.

7:4Dize à sabedoria: Tu és minha irmã; e chama ao entendimento teu amigo íntimo,

7:5para te guardarem da mulher alheia, da adúltera, que lisonjeia com as suas palavras.

7:6Porque da janela da minha casa, por minhas grades olhando eu,

7:7vi entre os simples, divisei entre os jovens, um mancebo falto de juízo,

7:8que passava pela rua junto à esquina da mulher adúltera e que seguia o caminho da sua casa,

7:9no crepúsculo, à tarde do dia, à noite fechada e na escuridão;

7:10e eis que uma mulher lhe saiu ao encontro, ornada à moda das prostitutas, e astuta de coração.

7:11Ela é turbulenta e obstinada; não param em casa os seus pés;

7:12ora está ela pelas ruas, ora pelas praças, espreitando por todos os cantos.

7:13Pegou dele, pois, e o beijou; e com semblante impudico lhe disse:

7:14Sacrifícios pacíficos tenho comigo; hoje paguei os meus votos.

7:15Por isso saí ao teu encontro a buscar-te diligentemente, e te achei.

7:16Já cobri a minha cama de cobertas, de colchas de linho do Egito.

7:17Já perfumei o meu leito com mirra, aloés e cinamomo.

7:18Vem, saciemo-nos de amores até pela manhã; alegremo-nos com amores.

7:19Porque meu marido não está em casa; foi fazer uma jornada ao longe;

7:20um saquitel de dinheiro levou na mão; só lá para o dia da lua cheia voltará para casa.

7:21Ela o faz ceder com a multidão das suas palavras sedutoras, com as lisonjas dos seus lábios o arrasta.

7:22Ele a segue logo, como boi que vai ao matadouro, e como o louco ao castigo das prisões;

7:23até que uma flecha lhe atravesse o fígado, como a ave que se apressa para o laço, sem saber que está armado contra a sua vida.

7:24Agora, pois, filhos, ouvi-me, e estai atentos às palavras da minha boca.

7:25Não se desvie para os seus caminhos o teu coração, e não andes perdido nas suas veredas.

7:26Porque ela a muitos tem feito cair feridos; e são muitíssimos os que por ela foram mortos.

7:27Caminho de Seol é a sua casa, o qual desce às câmaras da morte.



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