LA BÍBLIA Edição Revista e Atualizada João Ferreira

Cantares (Author Salomão)

1:1O cântico dos cânticos, que é de Salomão.

1:2Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o seu amor do que o vinho.

1:3Suave é o cheiro dos teus perfumes; como perfume derramado é o teu nome; por isso as donzelas te amam.

1:4Leva-me tu; correremos após ti. O rei me introduziu nas suas recâmaras; em ti nos alegraremos e nos regozijaremos; faremos menção do teu amor mais do que do vinho; com razão te amam.

1:5Eu sou morena, mas formosa, ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, como as cortinas de Salomão.

1:6Não repareis em eu ser morena, porque o sol crestou-me a tez; os filhos de minha mãe indignaram-se contra mim, e me puseram por guarda de vinhas; a minha vinha, porém, não guardei.

1:7Dize-me, ó tu, a quem ama a minha alma: Onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes deitar pelo meio-dia; pois, por que razão seria eu como a que anda errante pelos rebanhos de teus companheiros?

1:8Se não o sabes, ó tu, a mais formosa entre as mulheres, vai seguindo as pisadas das ovelhas, e apascenta os teus cabritos junto às tendas dos pastores.

1:9A uma égua dos carros de Faraó eu te comparo, ó amada minha.

1:10Formosas são as tuas faces entre as tuas tranças, e formoso o teu pescoço com os colares.

1:11Nós te faremos umas tranças de ouro, marchetadas de pontinhos de prata.

1:12Enquanto o rei se assentava à sua mesa, dava o meu nardo o seu cheiro.

1:13O meu amado é para mim como um saquitel de mirra, que repousa entre os meus seios.

1:14O meu amado é para mim como um ramalhete de hena nas vinhas de En-Gedi.

1:15Eis que és formosa, ó amada minha, eis que és formosa; os teus olhos são como pombas.

1:16Eis que és formoso, ó amado meu, como amável és também; o nosso leito é viçoso.

1:17As traves da nossa casa são de cedro, e os caibros de cipreste.

2:1Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.

2:2Qual o lírio entre os espinhos, tal é a minha amada entre as filhas.

2:3Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos; com grande gozo sentei-me à sua sombra; e o seu fruto era doce ao meu paladar.

2:4Levou-me à sala do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o amor.

2:5Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, porque desfaleço de amor.

2:6A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua mão direita me abrace.

2:7Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis nem desperteis o amor, até que ele o queira.

2:8A voz do meu amado! eis que vem aí, saltando sobre os montes, pulando sobre os outeiros.

2:9O meu amado é semelhante ao gamo, ou ao filho do veado; eis que está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, lançando os olhos pelas grades.

2:10Fala o meu amado e me diz: Levanta-te, amada minha, formosa minha, e vem.

2:11Pois eis que já passou o inverno; a chuva cessou, e se foi;

2:12aparecem as flores na terra; já chegou o tempo de cantarem as aves, e a voz da rola ouve-se em nossa terra.

2:13A figueira começa a dar os seus primeiros figos; as vides estão em flor e exalam o seu aroma. Levanta-te, amada minha, formosa minha, e vem.

2:14Pomba minha, que andas pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me o teu semblante faze-me ouvir a tua voz; porque a tua voz é doce, e o teu semblante formoso.

2:15Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que fazem mal às vinhas; pois as nossas vinhas estão em flor.

2:16O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascenta o seu rebanho entre os lírios.

2:17Antes que refresque o dia, e fujam as sombras, volta, amado meu, e faze-te semelhante ao gamo ou ao filho dos veados sobre os montes de Beter.

3:1De noite, em meu leito, busquei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o, porém não o achei.

3:2Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças buscarei aquele a quem ama a minha alma. Busquei-o, porém não o achei.

3:3Encontraram-me os guardas que rondavam pela cidade; eu lhes perguntei: Vistes, porventura, aquele a quem ama a minha alma?

3:4Apenas me tinha apartado deles, quando achei aquele a quem ama a minha alma; detive-o, e não o deixei ir embora, até que o introduzi na casa de minha mãe, na câmara daquela que me concebeu:

3:5Conjuro-vos, ó filhos de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis, nem desperteis o amor, até que ele o queira.

3:6Que é isso que sobe do deserto, como colunas de fumaça, perfumado de mirra, de incenso, e de toda sorte de pós aromáticos do mercador?

3:7Eis que é a liteira de Salomão; estão ao redor dela sessenta valentes, dos valentes de Israel,

3:8todos armados de espadas, destros na guerra, cada um com a sua espada a cinta, por causa dos temores noturnos.

3:9O rei Salomão fez para si um palanquim de madeira do Líbano.

3:10Fez-lhe as colunas de prata, o estrado de ouro, o assento de púrpura, o interior carinhosamente revestido pelas filhas de Jerusalém.

3:11Saí, ó filhas de Sião, e contemplai o rei Salomão com a coroa de que sua mãe o coroou no dia do seu desposório, no dia do júbilo do seu coração.

4:1Como és formosa, amada minha, eis que és formosa! os teus olhos são como pombas por detrás do teu véu; o teu cabelo é como o rebanho de cabras que descem pelas colinas de Gileade.

4:2Os teus dentes são como o rebanho das ovelhas tosquiadas, que sobem do lavadouro, e das quais cada uma tem gêmeos, e nenhuma delas é desfilhada.

4:3Os teus lábios são como um fio de escarlate, e a tua boca e formosa; as tuas faces são como as metades de uma roma por detrás do teu véu.

4:4O teu pescoço é como a torre de Davi, edificada para sala de armas; no qual pendem mil broquéis, todos escudos de guerreiros valentes.

4:5Os teus seios são como dois filhos gêmeos da gazela, que se apascentam entre os lírios.

4:6Antes que refresque o dia e fujam as sombras, irei ao monte da mirra e ao outeiro do incenso.

4:7Tu és toda formosa, amada minha, e em ti não há mancha.

4:8Vem comigo do Líbano, noiva minha, vem comigo do Líbano. Olha desde o cume de Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde os covis dos leões, desde os montes dos leopardos.

4:9Enlevaste-me o coração, minha irmã, noiva minha; enlevaste- me o coração com um dos teus olhares, com um dos colares do teu pescoço.

4:10Quão doce é o teu amor, minha irmã, noiva minha! quanto melhor é o teu amor do que o vinho! e o aroma dos teus ungüentos do que o de toda sorte de especiarias!

4:11Os teus lábios destilam o mel, noiva minha; mel e leite estão debaixo da tua língua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro do Líbano.

4:12Jardim fechado é minha irmã, minha noiva, sim, jardim fechado, fonte selada.

4:13Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes; a hena juntamente com nardo,

4:14o nardo, e o açafrão, o cálamo, e o cinamomo, com toda sorte de árvores de incenso; a mirra e o aloés, com todas as principais especiarias.

4:15És fonte de jardim, poço de águas vivas, correntes que manam do Líbano!

4:16Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, espalha os seus aromas. Entre o meu amado no seu jardim, e coma os seus frutos excelentes!



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